segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

A vida, como ela é? Que desgraça!

Dia desses, observando nos jornais, rádios, internet, TV e etc., reparei como é grave a segregação no Rio de Janeiro. E tudo em benefício da galera com grana, é óbvio! Afinal, pobre beneficiado no Rio de Janeiro só jogando futebol ou esperando o sinal ficar vermelho.

Inacreditavelmente tudo traz prejuízo para o pobre, até as boas intenções. Tipo, quando vem se aproximando o verão, o que o governo faz? Lança o horário de verão! Mas só rico é feliz, nem é todo mundo que pode chegar em casa e aproveitar o resto do dia caminhando no calçadão de Copacabana ou até mesmo aproveitar algumas horas na praia. Pobre fica preso no engarrafamento dentro de um ônibus entupido de passageiros sob um calor de 40° e quando, finalmente chega em casa, a praia é substituída pelo banho na mangueira.

Quando chega o verão, o que vem junto? As chuvas de verão, que ironicamente só prejudicam o pobre! Ou alguém já viu enchente na zona sul? Enchente é coisa de Belford Roxo, Nova Iguaçu e redondezas. E deslizamentos de terra, outro fenômeno natural que quando rola na Zona Sul é em favelas. Parece perseguição, até mesmo em lugares onde a maioria é rica quem paga o pato? O favelado! Mas que desgraça!

Mas o verão não é tão ruim para o povão... É possível perceber que durante esta época do ano crescem as vagas de empregos de vendedores de guaravita, água, refrigerante e hulla hulla nos engarrafamentos da cidade. Eles são tantos que até aprimoraram as técnicas de venda devido à concorrência: tem grupo de pagode desses vendedores, vendedores fantasiados, vendedores atores, vendedores tropa de elite... Por falar nos vendedores tropa de elite, destaque para o marketing desses vendedores: “– O zero meia cansou do mate com limão? Pede açaí, pede açaí!”. Brasileiro perde completamente o senso do ridículo por uma boa venda! Até na praia que é um lugar de lazer para muitos, para o pobre é lugar de trampo. As férias chegam e a diversão é segregada. Reparem em como os filhos de rico comunicam as suas mães que vão à praia:


“Mãe, estou indo à praia!
Ok, filho! Mas não esqueça o protetor solar...”

Os filhos de pobre:

''Mãe, estou indo à praia!
Menino, vê se não esquece o isopor e os sanduíches naturais... Sinto que hoje o movimento vai estar forte!''


Tipo, quem tem grana é banhista quem não tem é ambulante. E se não for ambulante é farofeiro.

Mas é bom deixar claro que esse povo que rala pra caramba é um povo guerreiro e que apesar de todo sufoco, sempre encontram motivo pra sorrir. São vítimas de preconceito pela sociedade mas nunca desistem. E digo isso porque posso falar que sou uma prova viva desse povão vítima de preconceitos! Sempre que estou na night e conheço alguém tudo vai muito bem até que me perguntam de onde eu sou... Quando eu respondo que sou da Pavuna, pronto... Fim de mundo! Passei direto do cara legal pra fanfarrão frequentador de Via Show! É sensacional a maneira como o olhar das pessoas muda na hora! Antes príncipe, depois plebeu! Mas isso nos torna pessoas especiais. Ou vocês acham que é fácil viver em uma sociedade onde o bairro em que residimos caracteriza nossa personalidade?!

Fui muito radical ???

7 comentários:

  1. Foi sim Jão... primeiro porque não considerou a possibilidade de voltarmos do trampo de Metro, pois mesmo sendo esmagado não enfrentamos os tais engarrafamentos.
    Segundo que como bom cidadão Pavunense, eu faço questão de falar do meu bairro muito antes de perguntar o nome da mina ! Rs rs rs..
    Pega leve Jão... no mais, o post foi maneiro !
    Abraço !

    ResponderExcluir
  2. foi um pouquinho.. sempre existiu um pouco de segregação e preconceito e sempre vai existir..é natural do ser humano, mas temos a grande sorte de termos nascidos no Brasil diverso q é.. imagina viver num apartheid na Africa do sul, num consgiguir durmir por causa de bombardeio na falecida Iugloslávia ou morar num "bairro negro" ou "bairro chines" ou porto riquenho... como nos EUA q é um país dito de 1o mundo.. ah q grande piada!(obs: Obama só é presidente agora pq a mãe dele era branca!).. apesar dos pesares o Brasil é o melhor lugar pra se viver.. e o Rio porra nem se fala é o paraíso comparado com o mundo cão aih de fora.. passa no saara q tu ve libanes comprimentando judeu e etc.. agora eu sou a favor de segregar sim.. pegar toda a mulambada flamenguista e mandar pro quinto dos inferno!
    Abraço joão.. e num se liga c nego te segregar.. esse é O Grande indício pra c afastar dessa pessoa.. fique na paz rasta!

    ResponderExcluir
  3. Acho que o texto está perfeito. Infelizmente é assim mesmo que as engrenagens funcionam. E por falar nisso: Cara, vc é da Pavuna??? Putz! Nunca mais vou ler seus textos!
    Hahahaha!
    Brincadeira, mano. Luz e força!

    ResponderExcluir
  4. Infelizmente essas coisas e o q acontece msm e é uma realidade no rio, acho q vc colocou isso de forma irônica e engraçada. O q e pesado msm e um monte de crianças passando fome pq políticos corruptos desvairam dinheiro, policiais agredindo a população quando deveriam protegê-las, a falta de incentivos na educação, no mas apesar de sermos pobres acabamos nos divertindo com algumas situações citadas.

    Pergunta pra tu.
    Na Pavuna enche ?, pq tinha q falar de Belford Roxo, lá e um lugar legal (mentira), mas enfim eu gosto de lá.

    ResponderExcluir
  5. Gostei do texto tmb :D
    vou continuar acompanhando

    ResponderExcluir
  6. João,
    Acho que não foi...
    Infelizmente é essa a realidade, rola muito preconceito mesmo.
    Gostei do texto!!!

    ResponderExcluir
  7. Além desse exemplo que vc deu em ser "um frequentador da Via Show" tb tem aquele do " Ah! Sei que bairro é esse! É a última estação do metrô, né?" rsrsrsrs

    Temos algumas privações, mas em matéria de "ser safo" nós ganhamos em desparado... Tenho vários colegas que moram na zona sul que só conhecem aquele mundinho deles, no máximo, conseguem andar pelo centro do Rio... muitos nunca ouviram falar de muitos bairros do subúrbio e baixada e além de nunca terem "passado" por eles, andar por aqui sozinhos seria o fim do mundo. Ao contrário de nós, que nos viramos bem em qualquer lugar do Rio. Com guia Rex ou sem ele!rsrs

    ResponderExcluir